EXXXPOSED: o monstro mora do outro lado da tela
- Bruna Cardoso
- 5 de dez. de 2024
- 13 min de leitura
Texto escrito para @revistarogue | Edição 2 | parte da matéria EXXXPOSED: o monstro mora do outro lado da tela em conjunto com Matheus Chaves, Sthael Gomes e Lucas Nunes

Aquilo foi um momento privado de uma adolescente, com todo mundo vendo e rindo. Se isso acontecesse hoje, não seria a mesma história. Me fizeram de vilã, como se eu tivesse feito algo errado. Eu estava tão apaixonada por ele que só queria fazê-lo feliz. Só me lembro dele puxando a câmera e me pressionando: ‘Ah, você é tão chata. Quer que eu chame outra pessoa?’. ‘Nunca ninguém vai ver’. Foi como ser violada digitalmente” HILTON, PARIS. 2020
Lembro-me da primeira vez que alguém próximo a mim teve um vídeo íntimo exposto na internet. Eu ainda estava no colégio, o vídeo era de uma garota. Lembro-me quando os meninos se reuniam em grupos para “discutir” abertamente sobre o vídeo — o quanto a garota estava gostando daquilo, em qual posição ela estava sendo fodida, qual parte do corpo dela era a mais gostosa, e como eles poderiam fodê-la de um jeito ainda melhor. Qual a diferença entre essa cena e qualquer outra retirada de um filme de terror? Você saberia dizer?
Acho que eles nunca chegaram a pensar sobre o vídeo em si ou sobre a posição deles enquanto cúmplices de um crime. Especificamente, crime de injúria e difamação (artigos 139 e 140 do Código Penal). Eles não conseguiam ver a garota como vítima, do sexo e da exposição. Isso talvez seja porque nossos olhos estejam rotineiramente acostumados a verem mulheres e homens associados a esse tipo de violência, ainda que de formas diferentes. O entretenimento, nesse sentido, parece banalizar o horror do ato não consentido. Quantas vezes em algum filme, série ou novela, você se deparou com uma personagem feminina que, apesar de forte, confiante, autêntica, era objetificada, sexualizada e, até mesmo, degenerada?
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O terror é um dos exemplos mais óbvios, mas que, indiretamente, parece reforçar a punição dos corpos que não respeitam as normas e imposições de gêneros binárias. A mulher passa a ser objetificada por não assumir sua posição como aparelho reprodutivo e o homem que se desvincula da masculinidade é excluído — ambos quase sempre são vítimas de violência física e psicológica. Primeiro, o personagem tem seu ato imoral ou pecaminoso revelado, acontece a exposição, e logo é rechaçado por uma instituição que detém certo poder e está dentro da ordem e da moral como forma de correção que só ela é capaz de oferecer.
Gabriela Müller Larocca no texto “O corpo feminino no cinema de horror: gênero e sexualidade nos filmes Carrie, Halloween e Sexta-feira 13 (1970–1980)” revela sua experiência com o gênero:
O que me chamou muito a atenção ao assistir tais filmes e proporcionou a elaboração inicial desta pesquisa foi o fato de que em tais produções o assassinato com requintes de crueldade, direcionado a jovens ativos sexualmente era um imperativo, afetando homens e mulheres. Entretanto, a morte feminina sempre se mostrou mais violenta e explícita. O corpo feminino aparece em tais películas de forma extremamente erótica e sexualizada, como se estivesse em constante observação, sendo frequente a exibição de seios e pernas nus, como se estas personagens estivessem tendo seus corpos anatomicamente analisados e estudados nas telas. (LAROCCA, 2016, p. 15–16)
Esse tipo de representação serve como validação e manutenção para várias culturas opressivas. O que não está longe de ser uma “cultura das nudes” e, se você incentiva e legitima esse comportamento de alguma forma, você não é muito diferente da pessoa que comete esses crimes, só está sendo ainda mais covarde.
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Lembro-me da primeira vez que tentei tirar uma nude. O medo do meu corpo não ser tão sexualizado quanto “deveria” era problemático — tinha medo de ter um corpo “estranho”, não sexual. Então eu me hipersexualizava, era automático, o que não me ajudou com a aceitação do meu corpo de uma forma sexy e natural. Era uma relação mais opressiva. Se eu estava fazendo aquilo então eu deveria ser o mais objetificado possível. A insegurança sempre esteve presente, mesmo depois de enviar a foto. Eu procurava de todas formas não ter que expor o meu rosto por medo, uma vez que a ideia de ter experiência com uma possível exposição me deixou receoso em me abrir sexualmente com alguém. Eu não confiava nas pessoas. Eu tinha medo que meus amigos descobrissem que era eu naquela foto, que eu estava ligado àquilo. Isso me deixava mal, me reprimia, e eu acabava deixando de lado o autoconhecimento em relação ao meu corpo e os meus desejos sexuais, apenas reproduzindo um comportamento fictício. Foi através de conversas com amigos e pesquisas por outras referências e estímulos que eu consegui perceber que o modo como escolho expressar e compartilhar a minha sexualidade não faz de mim um monstro. É algo natural e legítimo.
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Você já teve que trocar de roupa fora de casa? Não precisamos ir tão longe, já teve que se trocar fora do próprio quarto? E, mesmo estando em um lugar relativamente seguro dentro de sua casa, teve aquele receio de que alguém estivesse olhando para você, para o seu corpo, como se estivesse exposto de alguma forma? Só de pensar parece algo super desconfortável e assustador. Agora imagine isso acontecendo não só uma vez, mas milhares, de forma simultânea. É o que acontece quando a privacidade de alguém é violada por uma exposição não consentida na era digital.
ENTÃO AÍ VAI UMA PERGUNTA, SE ALGUM AMIGO RECEBESSE UMA NUDE SUA, VOCÊ SE SENTIRIA SEGURE EM RELAÇÃO A ISSO? OU MELHOR, SE VOCÊ RECEBESSE UMA NUDE DE UM MELHOR AMIGUE, ELUS PODERIAM SE SENTIR SEGURES?
É compreensível sentir insegurança quando tiramos uma foto mais íntima e enviamos para alguém e logo depois percebemos que deixamos parte do rosto aparecer. Isso pode gerar ansiedade e medo, mas não deveria ser assim. É por isso que precisamos entender como esse lance se tornou um mecanismo para o controle dos corpos desprovidos de roupa. Começou a se tornar divertido para pessoas completamente influenciadas pelo machismo interferirem nas nossas dinâmicas de relações íntimas, de uma forma doentia.
Não se sabe ao certo quando os humanos começaram a usar roupas, isso pode variar de acordo com o lugar e o tempo, e essa relação pode mudar bastante dependendo da sociedade onde está inserida. No Egito, por exemplo, se usavam poucas roupas; Já em Roma, a nudez era uma desgraça e considerada ofensa pública. No Japão era considerado normal até a Restauração de Meiji. Na Europa, os tabus em relação à nudez começaram a crescer com o Iluminismo e, na era vitoriana, a nudez em público já era considerada obscena. A visão das sociedades sobre o corpo à mostra também muda dependendo do evento, como rituais, esportes, e, obviamente, na intimidade. Embora a nudez seja reconhecida de formas diferentes em cada sociedade, existe algo que é comum em todas elas: Toda nudez será castigada. Algumas mais.
Na arte gregoriana podemos perceber a diferença entre a nudez masculina e feminina. As obras em sua maioria apresentam a figura masculina através da visão grega de gênero e beleza; quase sempre esses homens eram representados nus. Enquanto um é ligado a exaltação do corpo como reflexo da mente impecável e exercitada, o outro estava ligado a indecência e obscenidade e, geralmente, ligadas à fertilidade. Essa visão de gênero fica evidente na fala de Aristóteles: “O homem é, por sua natureza, superior e a mulher, inferior; e um domina e o outro é dominado”.
É no decorrer da Idade Média e começo da Idade Moderna que esse controle se intensifica progressivamente. O corpo, antes sexuado, passa a ser desvalorizado e reprimido pelo pensamento dominado pelo moralismo. Pudor é o que limita o que consideramos civilizado. Não é possível dissociar pudor e despudor. A nudez é uma forma de vivência que nos coloca em uma situação tensa. Como nos percebemos nus tem um valor humano, ainda que esse valor seja construído por meio do constrangimento.
Passando pela visão da mulher de Eva Pecadora, da Feiticeira e até da Maria redentora. Visões que mudam dependendo das estruturas de controle de cada época. É na Era Moderna que a sexualidade deixa de ser recusada e passa a ser objeto de estudo científico. Foucault em seu livro História da Sexualidade I: a vontade do saber fala que é na Era Moderna que
tais discursos multiplicaram-se as condenações judiciárias das perversões menores, anexou-se a irregularidade sexual à doença mental; da infância à velhice foi definida uma norma do desenvolvimento sexual e cuidadosamente caracterizados todos os desvios possíveis; organizaram-se controles pedagógicos e tratamentos médicos; em torno das mínimas fantasias, os moralistas e, também e sobretudo, os médicos, trouxeram à baila todo o vocabulário enfático de abominação (FOUCAULT, 1976, p. 37)
Foucault entende o poder como algo de fora do Estado, que se exerce por pequenas técnicas e pequenos poderes, que atuam em todas as áreas da sociedade e envolve os indivíduos, através de efeitos específicos. E sobre isso, ele constrói o conceito de biopolítica, um conjunto de mecanismos usados na vida normal dos indivíduos para que se tenha domínio sobre a população por meio do controle dos corpos. Dentro desse contexto, vemos que o poder e seus artifícios são historicamente construídos, especialmente, pelo controle do corpo e da sexualidade, em especial os corpos femininos.
Contextualizando em termos contemporâneos, esses mecanismos ficam ainda mais explícitos quando nos deparamos com casos de Revenge Porn, nos quais a nudez feminina é punida assim que ela toma o controle para si mesma. Também é visível no julgamento público de casos famosos, como as sextapes de Paris Hilton e Kim Kardashian. A exposição dessas imagens é “punida” com o rompimento da sacralidade feminina e a perda de prestígio. A nudez aqui está disfarçada de humilhação que vai além da exposição. Sobre isso, a escritora Audre Lorde diz:
Fomos ensinadas a desconfiar desse recurso, que foi caluniado, insultado e desvalorizado pela sociedade ocidental. De um lado, a superficialidade do erótico foi fomentada como símbolo da inferioridade feminina; de outro lado, as mulheres foram induzidas a sofrer e se sentirem desprezíveis e suspeitas em virtude de sua existência. Daí é um pequeno passo até a falsa crença de que, só pela supressão do erótico de nossas vidas e consciências, podemos ser verdadeiramente fortes. Mas tal força é ilusória, porque vem maquiada no contexto dos modelos masculinos de poder […] O erótico tem sido freqüentemente difamado pelos homens, e usado contra as mulheres. Tem sido tomado como uma sensação confusa, trivial, psicótica e plastificada (LORDE, 1984, p. 53–59)¹
É possível reverter a lógica do nu que subjuga grupos em algo que vai contra esse mecanismo? A nudez é necessariamente obscena ou “impura”? Para quem a nudez é tida como errada?
Toda nudez será castigada. Algumas mais.
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Em especial, será castigada a nudez feminina e dos corpos que quebram as normas da binaridade de gênero. As mulheres passaram séculos tendo seus corpos escondidos. E, ainda assim, elas eram disputadas e cobiçadas, usadas como mercadoria a ser trocada ou vendida. Hoje essa dicotomia se torna ainda mais complexa.
Com a industrialização e as duas grandes Guerras Mundiais, as empresas passaram a buscar formas de transformar as mulheres em público alvo de seus produtos. Eles descobriram um potencial milionário nesse grupo, construindo imagens de mulheres ideais e se apropriando das inseguranças e fragilidades alimentadas por uma sociedade machista para obrigá-las a consumir cada vez mais. A manipulação dos corpos teve, historicamente, prioridade de objetificar e usufruir do corpo feminino de variadas formas. Foi apenas recentemente que a máquina capitalista começou a criar um imaginário sobre o corpo masculino, mas não seria correto ignorar sua existência e as pressões misóginas que também pesam sobre o sexo masculino.
Os corpos, nesse contexto, se tornam públicos, controlados por olhares e fatores externos. Em vista disso, o processo de retomar o controle de si pode ser considerado como uma revolução individual. Para as mulheres, trata-se de uma busca para se libertar da condição de objeto passivo ao olhar masculino. Para os homens, é a busca por uma expressividade que não seja tóxica e destrutiva, uma reconexão com o emocional, o sensível e o feminino. A expressividade e a identidade de gênero não deveriam ser tratadas como regras binárias.
Nesse caminho é importante que as pessoas conheçam seus próprios corpos, que os explorem a fundo e entendam como funcionam em todos os sentidos, não apenas sexualmente. Ao mesmo tempo em que a sociedade estabeleceu a superexposição dos corpos, ela não nos ensina sobre eles. As escolas não falam da existência de vários tipos de seios e é proibido mostrá-los na mídia, mas todas as modelos das propagandas de lingerie exibem apenas um formato. Assim, como não esperar que as garotas acreditem que deveriam ser daquela forma? Inicia-se aqui o processo de estar desconfortável na própria pele.
O uso das fotografias permite que as pessoas “se vejam com outros olhos” e explorem diferentes pontos de vista para se conhecer e se descobrir. A possibilidade de compartilhamento dessas imagens permite o estabelecimento de novos símbolos, representações da diversidade dos corpos. Numa disputa tão acirrada com os padrões hegemônicos de beleza e comportamento, o ato de se aceitar é revolucionário. Se colocar frente ao olhar inquisidor dos outros em uma posição tão vulnerável como a da nudez é uma declaração de confiança. Confiança em si (mesmo em processo de construção) e naqueles que recebem a imagem. E aqui repousa a parte mais delicada dessa construção. Não haveria nem metade desse debate a respeito da exposição se não houvesse, de forma assustadoramente recorrente, a divulgação não consentida, isto é, não autorizada, dessas imagens nos mais diversos contextos.
É preciso que todas as partes concordem em fazer essas fotos e em recebê-las, bem como nos termos de sua armazenagem e distribuição. O fato de uma pessoa tirar uma foto nua e mandar para você não te dá permissão de exibir para outros. Ela pode estar confortável em se mostrar, mas isso não te isenta da responsabilidade de perguntar o que ela quer que seja feito com aquela imagem. É um direito das pessoas tirar nudes e ter controle absoluto sobre esses registros. Direitos garantidos por lei, inclusive. O direito de imagem, consagrado e protegido pela Constituição Federal da República de 1988 e pelo Código Civil Nacional de 2002 como um direito de personalidade autônomo que assegura a todas as pessoas o direito de ter suas imagens resguardadas. Além disso, a Constituição considera que a exposição indevida é um crime e o código civil afirma ser passível de indenização. Para isto, a imagem não precisa violar a intimidade ou a honra da pessoa, basta que seja publicada sem autorização.
Em parte, os nudes ganharam uma conotação negativa hoje pela forma nociva como têm sido compartilhados. Assim, falta pensar no consentimento como elemento essencial nessa troca. O impacto negativo de receber uma imagem indesejada também deve ser salientado, bem como aquele gerado em situações nas quais a pessoa se sente pressionada a tirar uma foto. Imagens íntimas devem ser um reflexo de que você está confortável consigo mesmo e com quem quer que irá recebê-las. Em hipótese alguma elas devem ser tiradas se a pessoa registrada não estiver em plena condição de dar seu consentimento de forma não enviesada. Medo, pressão e qualquer outra forma de coerção corrompem esse estado. As nudes podem ser usadas como uma declaração de poder e, como em qualquer outra instância, o poder pode ser usado de maneira errada.
A nudez é uma forma de expressão corporal tão válida quanto o uso de roupas e só demanda que seja utilizada em contextos limitados por questões de consentimento dentro dos contratos sociais. E aqui também vale lembrar que a nudez e a sexualidade não são indissociáveis. É possível usá-la como forma de arte, expressão, intimidade e protesto — um leque de realidades pouco exploradas. Até mesmo na linguística e na fotografia há uma diferenciação teórica da nudez performática daquela que é puramente sexual. Mas as linhas são turvas e uma imagem pode ser duas coisas ao mesmo tempo. A questão aqui é não se limitar por receio de atravessar para um campo indesejado. Em última instância, quem dá o veredito é quem registra a imagem.
A censura do erótico não é apenas um ataque à liberdade de expressão, ela também é completamente ineficiente em sua tentativa de proteger as pessoas de representações semióticas danosas. De acordo com a filosofia do escritor Paul B. Preciado, uma mudança de perspectiva só pode ser feita a partir do momento em que ocorre a apresentação de novas representações e a eliminação das anteriores por estarem inadequadas e serem ineficientes em seu objetivo de espelhar o todo. A censura já vem sendo feita há anos e não foi capaz de mudar essa realidade. Ao invés disso, é preferível evidenciar os corpos que têm sido silenciados, invisibilizados ou privatizados em prol de uma normatividade heterossexual, branca e cisgênero.
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MANUAL EROTICO DE PROTEÇÃO TECNOLÓGICA
Ele me pediu um nude, eu mandei música da Lykke Li, mas ele me bloqueou. Acho que ele queria um nude do corpo, eu, tolo, mandei da alma.
Ok, todo esse título formal demais é só um pretexto para instruir formas seguras para você trocar aquela nudezinha com o flerte. A expressão ‘‘manda nudes’’ se popularizou no Brasil lá por volta de 2013, gerando centenas de memes para serem utilizados ao fazer o pedido sem parecer tão direto assim. A prática — que sempre existiu — se propagou bastante após o surgimento de smartphones e seus aplicativos. Baseada na confiança que o remetente tem em seu destinatário “mandar nudes” é usada para pedir a alguém fotografias ou vídeos pessoais de cunho sexual por meio de diversas formas de comunicação, principalmente por Instagram, Snapchat e Whatsapp.
Enviar fotos íntimas para outras pessoas pode ser perigoso, as imagens podem acabar vazadas e compartilhadas para quem quiser acessar. Vazar fotos íntimas configura crime no Código Penal brasileiro e se você já foi vítima busque ajuda jurídica. Mas para que isso não ocorra e que você fique mais seguro quando estiver mandando nudes, aqui vão algumas estratégias:
1. Escolha a rede social que tenha mais funções
É muito melhor confiar mais naqueles aplicativos que oferecem um temporizador de autodestruição para mídias, pois após a visualização do conteúdo na outra tela a nude sumirá sem ficar salva no celular alheio. E geralmente essa função não permite que tirem prints da tela. O insta, snap e telegram possuem essa ferramenta. No caso do Instagram o app reporta ao remetente caso o destinatário tire o print.
2. Corpo não identificável
Se a nude é destinada para aquela paquerinha que você não tem tanta confiança assim é fundamental tomar cuidado para não mostrar seu rosto. E se tiver algum sinal de nascença, cicatriz ou tatuagem cubra com um emoji ou rabisque a foto/vídeo nesses locais.
3. Esconda a foto ou exclua de seu dispositivo eletrônico
Tá bom, eu sei que dá aquela dorzinha no coração depois de conseguir uma nude sexy demais da conta e ter que apagar. É que esse é um meio bem seguro para que não fique tão exposto assim na sua galeria e ocorra o incidente de alguém pegar seu celular emprestado e ver. Felizmente já existem as tais ‘’pastas seguras’’ em alguns smartphones, nas quais você guarda suas fotos e somente você tem acesso a elas. Até senha pode ter! Tuuudo, né? Também existe uma outra configuração em todas as mídias do seu celular que é ‘’arquivar’’, funciona quase da mesma maneira da pasta, mas não é tão seguro assim, pois só vai esconder seu conteúdo da página inicial da sua galeria. Há outra opção mais inusitada, se você não quer de jeito nenhum guardar suas nudes na galeria. Para isso, você cria uma conversa consigo mesmo nas janelas de mensagens de algum aplicativo discreto, como o Twitter por exemplo. Aí esse chat pode servir como uma galeria ‘‘ultra secreta’’, basta você upar todas suas nudes e sempre que você precisar elas estarão por lá.
Essas estratégias não asseguram 100% de privacidade, mas todo cuidado é útil. Se você quiser outras dicas, o site Safer Nudes pode ajudar, o link é: https://www.codingrights.org/safernudes/
¹Artigo Original: Use of the Erotic: The Erotic as Power, in: LORDE, Audre. Sister outsider: essays andspeeches. New York: The Crossing Press Feminist Series, 1984. p. 53–59.
Tradução feita por Tatiana Nascimento dos Santos — Dezembro de 2009, retirada do Zine “Textos escolhidos de Audre Lorde”.




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