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Assimetricamente Falando: As diferentes experiências com a modernização das TIC’s

  • Foto do escritor: Bruna Cardoso
    Bruna Cardoso
  • 5 de dez. de 2024
  • 6 min de leitura

Atualizado: 25 de dez. de 2024

Artigo escrito para a matéria da UnB Políticas da Comunicação 2º semestre de 2019 | em conjunto com Beatriz Silva, Sthael Gomes com orientação do Prof.: Fernando Paulino


Resumo


Dentro da sociedade da informação, o acesso às tecnologias da informação influenciam e evidenciam as desigualdades de outras esferas da sociedade. Este trabalho apresenta como recortes da sociedade influenciam as formas de experiência das pessoas com as tecnologias da informação e comunicação por meio de uma fanzine.


Palavras-chave: TCI’s. Fanzine. Comunicação e Cidadania.


1. Introdução


Em um contexto que as atividades da sociedade estão cada vez mais pautadas nos avanços das tecnologias da informação e comunicação, a informação se tornou um produto importante para o desenvolvimento político e social, seja de indivíduos ou de regiões e países.

Contudo, a realidade está distante de ser igual para todos. Se para alguns países a discussão gira em torno da implementação de novas tecnologias para smartphones de última geração, em outros países a discussão gira em torno da implantação de um rede de telecomunicação mais eficiente.

Em uma pesquisa sobre o Uso das Tecnologias de Informação e Comunicação nos Domicílios Brasileiros feita pela CETIC em 2018 30% dos domicílios brasileiros não tinham internet nem computador, em 2014 a taxa era de 42%. Nessa mesma pesquisa, 23% das pessoas nunca acessaram a internet. Há uma disparidade quando separamos por categoria. Na área urbana 20% nunca acessou e na área rural esse número cresce para 41%. Por instrução escolar essa disparidade aumenta ainda mais, se que tem ensino superior somente 2% nunca acessou, para quem é analfabeto ou só tem o ensino infantil esse número sobe para 83%. Apesar das diferenças serem um pouco menores, a televisão está presente em 96% dos domicílios urbanos e em 93% dos domicílios rurais, já com o telefone celular a área urbana tem 94% e a rural tem 85%.

Como cada indivíduo experiência esses avanços das tecnologias da informação é reflexo de como é a experiência dele na sociedade. O acesso à informação não é a única determinante para a atuação ativa e democrática do indivíduo, mas a produção e distribuição desses conhecimentos para a sociedade. A limitação transpassa só o acesso, mas também a produção e distribuição desse conhecimento, o que acaba gerando também um limite de visões e produções fora da bolha que tem acesso pleno a essas tecnologias e consequentemente à informação.

Só o acesso ou o aumento de bases para o acesso não são suficientes e não garantem que essas informações se tornem efetivamente conhecimento. Só ter internet na região para alguém que não tem acesso aos dispositivos que permitem o uso da internet não é realmente ter acesso. Mais do que aumentar o número de computadores com acesso à Internet, é necessário possibilitar a população com poucas oportunidades de acesso possam usar da tecnologia e da informação para transformação de suas realidades.

Este trabalho tem como questionamento Como os avanços tecnológicos da informação chegam para determinados recortes da sociedade e como isso impacta a experiência de sociedade para o indivíduo com base em pesquisas e como resultado uma fanzine com 3 textos sobre essas experiências.


Tecnologias da Informação e Democratização da Comunicação


A crescente evolução das tecnologias, e em especial a confluência das tecnologias das comunicações com a informática, vem ocasionando profundas mudanças nas relações políticas, econômicas e sociais na sociedade. Com este novo cenário em que cada vez mais nossas relações se pautam nessas tecnologias, o acesso a ela determina ou evidência outros fatores de desigualdade. Se por um lado temos igualdade e uma série de direitos assegurados na realidade acaba sendo diferente. Marshall em seu ensaio Cidadania, Classe Social e Status fala sobre como a igualdade nos direitos civis entra em confronto com as desigualdades sociais por ser uma sociedade pautada na propriedade privada.


“Mesmo não interferindo na estrutura desigual da sociedade capitalista, o princípio de igualdade existia perante a lei, mas não existia na prática devido aos preconceitos de classe, parcialidade e distribuição desigual de renda” (MARSHALL, 1967.p 77)

Democratizar a comunicação também é democratizar a sociedade. O acesso à informação como meio de transformação social, dar não só o acesso, mas meios de transformar as informações em conhecimento.


O direito à comunicação constitui um prolongamento lógico do progresso constante em direção à liberdade e à democracia. Em todas as épocas históricas, o homem lutou para se libertar dos poderes que o dominavam, independentemente de que fossem políticos, econômicos, sociais ou religiosos, e que tentavam impedir a comunicação. Graças apenas a alguns esforços fervorosos e infatigáveis, os povos conseguiram a liberdade de palavra, de imprensa e de informação. (RAMOS, 2005. cap. 10)


Assim pautar a democratização da comunicação como um tema importante é compreender a necessidade da diversidade tanto nos atores quanto em quem está produzido de envolver toda a sociedade. Por isso a escolha de um fanzine para falar sobre as desigualdades nas experiências com as tecnologias da informação.


Fanzines, um breve histórico


Os fanzines surgiram como um meio de expressar temáticas que até então eram ignoradas ou pouco trabalhadas pelas revistas comerciais. O termo deriva da união de duas palavras da língua inglesa, são elas: fanatic, fã e magazine, revista.


O termo “revista de fã” provém dos anos 20 e 30, quando fãs de ficção científica sentiram a necessidade de produzir seu próprio conteúdo, a respeito do tema. Tempos depois, em 1960, na França, informativos a respeito das histórias em quadrinhos passaram a ser divulgados pelos fanzines. Aos poucos esse novo meio de divulgação de conteúdo foi apropriado por pessoas de outros países.


No Brasil o fanzine chegou no período ditatorial e era utilizado para disseminar ideias que não eram retratadas pelos grandes veículos comunicacionais brasileiros e nem vistas com bons olhos pelos censores da Ditadura Militar.


O fanzine se apresenta como um espaço para tornar público os diferentes discursos sufocados tantos pelo circuito oficial seleto de publicações, que decide quem ou quais vozes devem ser apresentadas ao leitor, quanto por quem possui poder e meios financeiros para publicar o que deseja.


Seguindo essa lógica “o fanzine vem a ser, dessa forma, também veículo de grupos marginalizados cultural e geograficamente, bem como porta-voz de um tipo de contracultura que denominamos genericamente de underground, alternativa ou independente” (Magalhães, 2016, p. 9).


Em 1970, tanto a juventude punk inglesa quanto a estadunidense discutiam o assunto e difundiam produções artísticas por meio de fanzines. Em meio a esse contexto:


Os punks notadamente esgarçaram o conceito de fanzine. Uma vez que tinham todo o controle sobre o processo de produção de seus próprios impressos, experimentaram ao máximo as possibilidades que as condições materiais de impressão lhes proporcionaram. As colagens, icônicas nas capas dos discos da banda punk Sex Pistols, guardam relação com a nova aparência que os punks deram aos fanzines, que Henrique Magalhães chama de “caótica programação visual” (MILANI, 2012, p. 3 apud MAGALHÃES, 2004. p. 20).

Enaltecendo o “faça você mesmo”, o próprio processo de produção desse meio é extremamente livre. O próprio autor faz parte de cada processo de elaboração, deixando assim sua marca e personalidade no produto final. O zine (nome pelo qual é popularmente conhecido atualmente) não visa o lucro e sua publicação não é regular.


Nos anos 80, os autores de zines utilizavam, para a impressão de seu trabalho, o mimeógrafo e também a fotocópia. A publicação era divulgada por distribuição em shows, lojas e também por correio. Com o passar do tempo essa forma de publicação passou a ser utilizada por outros grupos, como: feministas, comunistas, etc.


Referências bibliográficas


ANDRAUS, Gazi. A independente escrita — imagética caótico-organizacional os fanzines: para uma leitura/feitura autoral, criativa e pluriforme. UNIFIG/UNIMESP.

CETIC. O Uso das Tecnologias de Informação e Comunicação nos Domicílios Brasileiros . Disponível em:https://www.cetic.br/pesquisa/domicilios/. Acesso em: 18 novembro 2019.

MARSHAL, T.H. Cidadania, Classe Social e Status. Rio de Janeiro. Zahar, 1997.

MILANI, Marco Antônio. Fanzines brasileiros, leitura e discurso. Fortaleza — CE: UNESP, 2012.

MAGALHÃES, H. A mutação radical dos fanzines: 2. ed. Paraíba: Marca de Fantasia, 2016.

RAMOS, Murilo César. Comunicação, Direitos Sociais e Políticas Públicas.In MARQUES DE MELO, J.; SATHLER, L. Direitos à Comunicação na Sociedade da Informação. São Bernardo do Campo, SP: Umesp, 2005.

QUINTELA, P.; BORGES, M. Livros, fanzines e outras publicações independentes. Um percurso pela ‘cena’ do porto. Portugal, 2015.

FREIRE, Isa Maria. Acesso à informação e identidade cultural: entre o global e o local. Ciência da informação, Brasília, v. 35, n. 2, p. 58–67, 2006.

FORTIM, Ivelise; DE ARAUJO, Ceres Alves. Aspectos psicológicos do uso patológico de internet. Boletim Academia Paulista de Psicologia, v. 33, n. 85, p. 292–311, 2013.


 
 
 

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