A Influência da Nova Hollywood nos Road Movies Brasileiros
- Bruna Cardoso
- 5 de dez. de 2024
- 12 min de leitura
Atualizado: 25 de dez. de 2024
Artigo escrito para a matéria da Unb História do Cinema | 2º semestre de 2018| em conjunto com Sthael Gomes com orientação do Prof: Rose May

RESUMO:
Este artigo traz como tema as influências que o movimento cinematográfico Nova Hollywood tem nos filmes de Road Movies brasileiros. Procuramos saber como se dá e onde se encontram traços destas influências nos Road Movies brasileiros: A beira do caminho e Cinema, Aspirinas e Urubus relacionando-os com os filmes Sem Destino e Corrida Sem Fim. Para verificar se há mesmo a influência nos filmes, foi necessário o estudo dos conceitos desse movimento cinematográfico, mostrar a narrativa das tramas, bem como seus personagens e características. Também analisamos a utilização das trilhas sonoras, os aspectos de violência, melancolia, fuga e comunicação entre as personagens, apontando os pontos chaves do gênero.
Palavras-chave: Nova Hollywood, Road Movie, A Beira do Caminho, Cinema, Aspirinas e Urubus, Sem Destino e Corrida Sem Fim.
INTRODUÇÃO
Muitos estudiosos acreditam que os Road Movies tiveram seu início firmemente estabelecido na Nova Hollywood, graças à sua independência e liberdade. Houve também o boom da indústria automobilística e da cultura jovem após o fim da segunda guerra mundial. Pode-se dizer até mesmo que, através de estradas imprevisíveis, esses filmes levam ao pé da letra o abandono das fórmulas estabelecidas pelos grandes estúdios da era de ouro hollywoodiana. A começar, a poderosa figura do produtor é substituída pela criatividade única do diretor.
O foco é a jornada e não seu final. Nestes filmes, o destino praticamente não existe e não se sabe o que esperar. Os personagens, através das estradas, fogem da sociedade, das amarras sociais, das responsabilidades e das expectativas. Há a liberdade criativa e o inesperado que acompanha o percurso.
Características desses filmes influenciaram outros em vários países, incluindo o Brasil.
NOVA HOLLYWOOD
Com a consolidação da televisão e dentro do contexto de mudanças econômicas e de pensamento norte americano dos anos 60, o cinema sofria um declínio, inspirado na Nouvelle Vague surge a Nova Hollywood, que renovou a produção técnica e estilística dos filmes se diferenciando dos padrões da chamada “ época de ouro de Hollywood” apesar de ainda sofrer influências dela.
Devido aos acontecimentos da época, morte de importantes figuras do cinema, como Marilyn Monroe, assassinato do presidente Kennedy, a Guerra do Vietnã entre várias outras mudanças culturais, os filmes com finais felizes já não faziam mais tanto sentido, surge aí a demando por filmes mais realistas que condissessem com a nova realidade que os estadunidenses viviam, era necessários filmes que ousassem mudar.
As condições econômicas para o surgimento do American Art Film — que vêm somar-se às suas razões estéticas e socioculturais — criam-se no processo de resposta dos estúdios ao novo cenário de consumo. (MASCARELLO, 2006)
Nascia assim Nova Hollywood ou cinema neoclássico, movimento surgido na década de 1960, com influências da Nouvelle Vague francesa e tendo como maiores expoentes os diretores: Woody Allen (Noivo Neurótico, Noiva Nervosa/Annie Hall), Martin Scorsese (Taxi Driver), Francis Ford Coppola (O Poderoso Chefão/The Godfather) e Stanley Kubrick (Laranja Mecânica/Orange Clockwork) (DÁPHINE PONTE GOMES, 2012 apud OPPERMAN, 2001).
Há um consenso quanto ao significado cultural mesmo havendo variações quanto a denominação (Nova Hollywood, American Art Film, Renascimento hollywoodiano) de autor para autor. É a partir de 1967 com Bonnie & Clyde, uma rajada de balas, de Arthur Penn que desponta em Hollywood um cinema que alia procedimentos clássicos e modernos e também explora temáticas americanas sob uma visão predominantemente crítica e em vários casos muito ousada com representação de sexo e violência conseguem um sucesso significativo de crítica e público.
Segundo Mascarello (2006) o termo Nova Hollywood é designado em dois momentos: em um primeiro momento é em referência ao chamado American Art Film de final dos anos 1960 e começo dos 1970,e feito por cineastas que se afastavam do clássico para dialogar com o modernismo europeu (Robert Altman, Arthur Penn, Francis Ford Coppola, Martin Scorsese, entre outros) e em um segundo momento passa a designar, a seguir, exatamente a produção mainstream que, começando em 1975, decreta o esvaziamento do ciclo do “cinema de arte americano”: o blockbuster à Lucas e Spielberg. Essa produção pós-1975 se define pelo abandono progressivo da pujança narrativa típica do filme hollywoodiano até meados de 1960, e também por assumir a posição de carro chefe absoluto de uma indústria fortemente integrada, daí em diante, à cadeia maior da produção e do consumo midiáticos (cinema, TV, vídeo, jogos eletrônicos, parques temáticos, brinquedos etc).
A Nova Hollywood se inspirou no cinema autoral europeu na da década de 1960 e tratava de temas do contexto político época como a contracultura, igualdade racial, liberação de costumes e pacifismo, como resultado temos diretores e filmes mais críticos e intensivo sobre a sociedade estadunidense. Grandes nomes deste movimento são Martin Scorsese, Francis Ford Coppola, Peter Bogdanovich, Michael Cimino, Paul Schrader, George Lucas, Steven Spielberg e Brian De Palma.
Segundo Mascarello o conceito de Nova Hollywood busca mostrar as diferenças tanto estéticas quanto técnicas quanto a Velha Hollywood
O conceito de Nova Hollywood procura traduzir as diferenças estéticas e econômicas substanciais do cinema contemporâneo (especialmente os pós- 1975) para com a Velha Hollywood (MASCARELLO, 2006)
Próximo ao final da década de 60 acontecem dois eventos inter-relacionados, uma crise brutal da indústria cinematográficas e o estabelecimento da American Film Art ou renascimento hollywoodiano, filmes que acarretaram o uso inicial do termo Nova Hollywood e o início das discussões sobre a possibilidade de uma manifestação pós- classicista.
Em geral a Nova Hollywood é colocada pelos críticos em um cenário abrangente de contracultura americana nos anos 60. Os filmes deste movimento tratavam tudo com um olhar mais liberal, olhar esse que fazia eles rejeitarem as afirmações apresentado um ceticismo drástico. Por isso traziam “protagonistas indecisos, contraculturais e marginais, de objetivos frequentemente mal definidos e, em última análise, inalcançados, contrastando com as figuras heroicas e tipicamente bem-sucedidas” dos filmes clássicos (MASCARELLO, 2006, pag. 344 apud SMITH 1998, p. 10)
Filmes como O destino do Poseidon de Ronald Neame, 1972 e Terremoto de Mark Robson, 1974, os blockbusters de catástrofe, que tiveram um ótimo resultado fizeram com que a primeira metade da década de 1970 fosse melhor economicamente para a indústria. Mas é Tubarão de Steven Spielberg em 1975, que posteriormente se juntaria a Guerra nas Estrelas de George Lucas e Os embalos de sábado a noite de John Badham, ambos de 1977, é que demarca o começo da era de blockbuster high concept e do reencontro da indústria com a estabilidade financeira.
Ainda que o art film estivesse vivendo seu ápice meados dos anos 70 com filmes como Nashville de Altman, 1974, A conversação de Coppola, 1974 e Taxi driver de Scorsese, 1976, o surgimento dos filmes high concept, que seriam a “nova” Nova Hollywood, causa crescente declínio econômico até o fim da década, concluído com o fracasso financeiro de O portal do paraíso de Michael Cimino, 1980.
ANÁLISES:
1.1 — Corrida Sem Fim (Two-Lane Blacktop)
A Nova Hollywood derrama seu tom melancólico e crítico no filme Corrida Sem Fim, dirigido por Monte Hellman e lançado em 1971. A trama apresenta a viagem errante de dois jovens que atravessam os Estados Unidos em busca de corridas e precisam lidar com os estranhos que surgem em seus caminhos.
A fotografia é fria, com uma saturação baixa em todas as cores. Explora-se bem a grande quantidade de planos possível nos carros e estradas. O roteiro, como se espera de um Road movie, é mais livre e o começo e o fim existem apenas como uma convecção.
Os grandes ápices da construção clássica, bem como as características marcantes de heróis, vilões e anti-heróis se tornam confusas nos personagens desta obra. A relação entre eles não é clara e nem mesmo suas intenções. Os diálogos são vazios e a expectativa de uma resolução final morre aos poucos. Não se sabe quem está de qual lado. Bem e mal se misturam e se confundem.
A temática é realista e crua. Apresenta-se e se desenvolve pouco ou nada dos personagens. Pessoas entram e saem pequenos jogos de interesse se criam, mas nada se estabelece com certeza. Nem mesmo sabemos os nomes corretos dos personagens, sua história é tão incerta quanto seu futuro. Não sabemos quem ganhará a corrida, não sabemos sequer se ela será terminada. Os jogos amorosos se confundem e se quebram ao fim. Os finais felizes são apenas uma sombra distante prestes a ser destruída.
Os diálogos abordam muito mais questões técnicas sobre os carros do que qualquer coisa mais aprofundada sobre o mundo ou os personagens. A cena do acidente e a conversa entre mostra essa indiferença com os problemas alheios. Não se desenvolve nada profundo. Não há muitos questionamentos e não se busca construir algo. Há, no máximo, uma sugestão para refletir sobre a vida nômade dos corredores, alguns dilemas simples e como eles se fecham para o mundo, se alimentando de relações rasas. Eles se ajudam o mesmo tanto que se destroem. É difícil dizer se alguém ali se importa com o outro ou com o que quer que seja. Eles apenas seguem a estrada e ainda assim seus destinos são extremamente voláteis. Sempre contando com a sorte e com o conhecimento que tem de suas máquinas.
A relação do motorista mais velho com seus caronas mostra como é difícil interagir com estranhos. Qualquer tipo de gente pode entrar naquele carro. E para cada ocasião, constrói-se uma história. Eles têm uma máscara para cada estrada. Eles se mostram maleáveis e são constantemente forçados a superar o vai e vem de pessoas em suas vidas.
O silêncio também é bem trabalhado e a música se encaixa bem em variados momentos. Tudo parece incompleto e ninguém faz questão de se perguntar sobre o resto. Não se sabe se a história que o velho contaria era a verdadeira. Não se sabe se ele realmente desejava se casar com a garota. E ela, tão logo parece se encaixar com o grupo, os abandona, deixando até mesmo sua mala para ir à garupa da moto de outro garoto. Ela não se importa e embora pareça que um dos garotos estivesse verdadeiramente interessado, nenhum deles interfere em sua decisão.
A liberdade tem seu preço, pois todos são igualmente livres. Tudo parece extremamente vazio e abandonado à própria sorte. As coisas acontecem como se tudo fosse banal e desimportante ou desinteressante. As pessoas são tão automáticas quanto às máquinas.
1.2 — Sem Destino (Easy Rider)
“Eles saíram em busca da América e não a encontraram em lugar nenhum”-Frase do cartaz do filme
O filme Sem Destino, de Dennis Hopper, lançado em 1969 é tido como um dos símbolos da Nova Hollywood. Ele apresenta o trajeto que dois amigos fazem em suas motos, cortando os Estados Unidos em direção à Nova Orleans e seu famoso Mardi Gras. Como outros road movies, este também parece começar de um ponto qualquer. A questão das drogas que marca seu início permeia toda a obra e traz reflexões importantes dentro do contexto da época. A contracultura ganha representatividade, mas o espírito libertário dos anos 60 é marcadamente confrontado pelo conservadorismo.
A trilha sonora do filme se tornou icônica, preenchendo o vazio das estradas com notas de rock. Os diálogos são mais bem construídos do que aqueles de Corrida Sem Fim e isso se deve à necessidade de construir uma crítica mais clara à violência e ao preconceito daquela época. Mas ainda assim, há uma quantidade razoável de tempos mortos, bem acompanhados de uma fotografia impecável da beleza natural que cerca a rota 66.
O roteiro, como é típico da Nova Hollywood, abandona a ideia do “moralmente aceitável” e entra na vereda de temáticas mais ousadas. Opta-se, desta vez, pelo uso da violência, ao contrário da melancolia apresentados na supracitada obra de Monte Hellman. Contrasta-se movimento e contemplação com cenas rápidas na estrada e montagem dinâmica em cenas como as do Mardi Gras, versus cenas contemplativas e longos planos detalhes. As transições também se diferenciam ao alternar repetidamente entre dois planos antes de mudar de cena. Assim, tanto temática quanto método revolucionam.
Os dilemas surgem e se desenvolvem com naturalidade e os personagens não são pré-introduzidos. O vai e vem de pessoas é despretensioso e muitos personagens permanecem em aberto. Nenhuma interação é profunda o suficiente, além daquela estabelecida entre os personagens principais, cuja história anterior também não é apresentada. E mesmo assim, a distância entre eles e seus respectivos valores sempre parece presente.
Alimenta-se o debate sobre questões ásperas, como extra-terrestres, comunidades hippies, drogas, preconceito e violência. A cena que representa os efeitos do LSD foi uma das primeiras da história e consegue aproximar bem o expectador dos sentimentos compartilhados pelo trio naquele momento.
Segundo Roberto Siqueira, do blog Cinema e Debate “a poderosa frase de Wyatt na última reflexão da dupla (“Nós estragamos tudo!”) transcendeu o filme e simbolizou toda a trajetória do movimento Nova Hollywood, quando os diretores, em pouco mais de uma década, conseguiram perder todo o poder que conquistaram. Ela também se aplica ao próprio movimento hippie e à contracultura”.
1.3 — A Beira do Caminho
O filme A Beira do Caminho, de Breno Silveira, lançado em 2012, retrata o caminho de um caminheiro solitário que encontra um garoto que havia pegado uma carona clandestina em seu caminhão. A figura do caminhoneiro João, carrancudo e calado, se contrasta com a de Duda, animado e falante. Os contrastes são recorrentes nos road movies, especialmente entre os personagens principais. A divergência de opiniões marca momentos importantes e adiciona tensão e complexidade às relações usualmente rasas desse gênero.
Quanto às tensões, há muitas no filme de Breno. Os traumas de João e seus repentinos ímpetos de ira pesam a atmosfera da viagem diversas vezes. Repousa aí o ar de violência da Nova Hollywood, equilibrado pela melancolia da falta de perspectiva de ambas as personagens. Outra característica do movimento cinematográfico que pontua a trama é o apelo sexual. Apesar de mais intrincado à história e menos explícito, ele ainda pode ser marcado. Por fim, temos os debates da época: a questão familiar, o abandono e a superação de perdas. Questões abertamente mais profundas do que os precedentes americanos dos anos 70, mas que não removem a tradicional aura de fuga e rebeldia. João foge de seu passado e Duda foge das péssimas perspectivas que tinha no abrigo.
A comunicação é uma crescente que passa de inexistente no começo, para quebrada ou falha e só se completa no final. A melancolia é vencida e alcança-se praticamente um final feliz. E ainda assim, há ousadia: um garoto negro adotado por um pai viúvo. O inesperado da jornada e das estradas se mescla ao roteiro mesmo quando se acredita não haver mais espaço para tanto.
As músicas de Roberto Carlos estão neste filme como o rock está para Sem Destino. Elas são a coluna vertebral, o movimento, adquirido juntamente com a montagem. Simbólicas e bem colocadas, também preenchem o espaço entre as personagens e, diferentemente do americano supracitado, conseguem aproximá-los.
Uma inovação unicamente brasileira que pode ser apontada envolve as mensagens nas traseiras dos caminhões. Visões tão tradicionais das estradas nacionais se tornam emblemáticas para o filme, pontuando emoções em situações específicas da trama. A arquitetura das construções e cidades de beira de estrada, bem como a geografia local são como o esqueleto dos road movies. E essas mensagens se tornaram os olhos desse corpo artístico. Olhos que vem de fora e olham para dentro da história ao mesmo tempo em que fazem parte dela.
1.4 — Cinema, Aspirinas e Urubus
O filme Cinema, Aspirinas e Urubus, de Marcelo Gomes, lançado em 2005, traz a história de um alemão que, em 1942, atravessa o sertão brasileiro vendendo aspirinas. O começo é lento e silencioso. A aura ressecada e melancólica, margeada pela falta de perspectiva das personagens lembra Corrida Sem fim. O vazio do sertão e a miséria humana reduzem as pessoas a poucas palavras e emoções baratas, como bebidas e mulheres. Encontra-se apenas um fraco senso de esperança, tão breve e errante quanto as personagens. Momentos felizes se seguem de grandes tragédias. O encantamento da vida é frágil e ingênuo, como o cinema que divulga as aspirinas é para o povo do interior nordestino. Ele parece muito incrível e importante, mas não passa de uma simples ilusão com um propósito não muito bonito por trás.
Novamente, o sexo e a relação geral com mulheres é ponto importante da trama. As pessoas entram e saem sem maiores explicações, sem cumprimentos ou despedidas afetuosas. Até mesmo o último contato entre os personagens principais é silencioso e distante.
O diálogo se quebra várias vezes e, nesta obra, a música é consideravelmente menos significativa do que aquela das duas últimas apresentadas. Ela preenche o ambiente de forma despretensiosa, bem como o rádio fazia naquela época. As notícias eram muito mais importantes.
Traz-se o debate sobre os efeitos da guerra nas pessoas e no país e sobre a miséria do sertão. Esse ponto volta a se assemelhar com o encontrado na produção dirigida por Monte Hellman. As críticas estão mais concentradas mais no conjunto da obra do que num discurso direto, apesar desse também estar presente.
A fuga também é peça chave, como nos demais road movies. Johann foge da guerra que assola seu país e Ranupho foge das mazelas de sua terra. Os dois têm perspectivas contrastantes sobre o sertão. De um lado, o estrangeiro acredita que aquele lugar é um refúgio de paz e simplicidade. De outro, o brasileiro vê apenas pobreza, desgraça e desgosto. Um quer ficar e o outro quer partir. Além disso, um é mais calado e o outro é mais falante.
A fotografia é especial: muito clara (estourada) para similar a sensação que temos sol no escaldante do sertão. E as cores pouco saturadas ilustram a aparência simples e ressecada da região.
CONCLUSÃO:
As principais influências encontradas nos filmes em questão, dizem respeito à forma como as temáticas centrais são trabalhadas, sob um aspecto geral mais violento ou mais desolado, tradicionais dentro da estrutura da Nova Hollywood. Além disso, a presença dos ideais de fuga, rebeldia e ousadia também seguem os exemplos americanos.
Apesar da presença de relações (via de regra) superficiais que contam com a passagem frugal de pessoas pelas vidas das personagens principais, os filmes brasileiros conseguem criar laços mais significativos entre elas. É possível supor que isso se deve a tradição histórica do brasileiro de ser um povo consideravelmente mais afetuoso e próximo. E a distância tem grande influência nos contrastes entre personalidades e ideais que também é percebida nos precedentes de época. Ainda assim, os diálogos quebrados ainda são parte importante do roteiro e a música preenche bem tais falhas e tempos mortos.
Desta forma, as produções brasileiras conseguiram dar seu toque único aos filmes dentro dos requisitos trabalhados nesse artigo, especialmente quando se trata das especificidades das estradas e da geografia que as cerca, como no caso da luz do sertão e dos caminhões com mensagens.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
MASCARELLO, Fernando (org.) História do Cinema Mundial. Campinas: Papirus, 2006.
GOMES, Dáphine Ponte. A influência dos movimentos Nova Hollywood, blockbusters e high-concept na composição do filme Clube da Luta. São Paulo: Revista Anagrama, 2012.
SIQUEIRA, Roberto. Nova Hollywood. Brasil, 2010. Disponível em: <https://cinemaedebate.com/a-setima-arte/nova-hollywood/> Acesso em: 15 de novembro de 2017.
Tudo Sobre Seu Filme. O que é road movie. Brasil, 2017. Disponível em: <http://www.tudosobreseufilme.com.br/2015/09/o-que-e-road-movie.html> Acesso em: 14 de novembro de 2017.
Film Reference. Independence in the New Hollywood. Estados Unidos, 2015. Disponível em:<http://www.filmreference.com/encyclopedia/Independent-Film-Road-Movies/Independent-Film-INDEPENDENCE-IN-THE-NEW-HOLLYWOOD.html> Acesso em: 07 de novembro de 2017.
LADERMAN, David. Driving Visions: Exploring the Road Movie. 1. ed. United Stated Of America: University Of Texas Press, 2002. 321 p. v. 1. Disponível em: <https://books.google.com.br/books?hl=pt-BR&lr=&id=mjvsDAAAQBAJ&oi=fnd&pg=PP8&dq=road+movies&ots=z422RHuZkK&sig=-OnGqBknezADOdBhFUYatO_43jw#v=onepage&q=road%20movies&f=false>. Acesso em: 03 de novembro de 2017.




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