Damas Góticas: Mortícia
- Bruna Cardoso
- 5 de dez. de 2024
- 4 min de leitura
Texto escrito para @revistarogue | Edição 2| parte da matéria As Damas Góticas

Como as histórias de Mortícia, Vampira e Elvira se entrelaçam
Você conhece certamente a figura, hoje clássica, da mulher pálida com cabelos negros, vestido justo e aura assustadora. As três damas góticas da televisão americana, Mortícia, Vampira e Elvira, fascinaram e ainda fascinam muitos. Seja pela aparência estonteante, macabra e sensual ou pelo humor inteligente e fúnebre, as três vivem no imaginário coletivo da cultura pop desde a década de trinta. Através dos anos, a necessidade do público por essa personagem transformou a vida das mulheres que se atreveram a interpretá-la
A personagem criada por Charles Addams conquista atenção seja em quadrinhos, filmes ou séries de TV com comentário indiferentes, charme e mistério. A família Addams, sombria e de humor ácido, surgiu como sátira do modelo de família tradicional americana dos anos vinte. Nos quadrinhos, publicados a partir de 1937, os personagens não possuíam nomes, ganharam apenas em 1964 na série televisiva produzida pela emissora ABC. Nome dado à personagem por Charles, Mortícia veio da palavra em latim “mors mortis”, que significa “morte” ou “coveiro”, fazendo jus à aura obscura da personagem. Mortícia Morta Dela Frump Addams, esposa de Gomez Addams, mãe de Wandinha e Feioso, envolvida em jardinagem oculta, era uma mulher excêntrica e amorosa, descrita pelo criador como:
A verdadeira chefe de família, em voz baixa, incisiva e sutil, os sorrisos são raros… beleza admirável… desprezo e original e com lealdade familiar forte, até mesmo na disposição, silenciada, espirituosa, às vezes mortal… dada a baixa rapsódias com chave sobre seu jardim de erva-moura mortal meimendro e cabelos compridos.
A intérprete de Mortícia, Carolyn Jones, nascida em 28 de abril de 1930, veio de uma família simples de Amarillo, uma pequena cidade no Texas, e foram revistas de fofocas que a fizeram se interessar pelo ramo da atuação. Aos dezessete anos, com ajuda de sua avó, se matriculou na escola de teatro Pasadena Playhouse. Foi lá onde que sua carreira logo se tornou meteórica. Fazendo papéis em séries como Gruen Guild Playhouse e no cinema em Tributo de sangue (1952). Marcando presença em produções durante dez anos, ganhou o Golden Globes© Awards em 1958 como Atriz Revelação.
Foi em A Família Addams que a atriz mostrou seu lado comediante, com sua personagem de humor inteligente e perverso até então pouco conhecido da atriz. Conquistando fãs e admiradores, sua carreira decolou com mais velocidade. Carolyn ainda atuou em produções como as séries Batman (1960) e A Mulher Maravilha (1976). A atriz faleceu no ano de 1983 em decorrência de um câncer de cólon diagnosticado no ano anterior, em que ela fez seu último papel na novela Capitol.
A série televisiva da Família Addams, que estreou em preto e branco no ano de 1964, se manteve na programação por dois anos, mas não conseguiu competir com outros programas em cores e em 1966 chegou ao seu fim. O elenco original retorna aos papéis em 1977 no filme de Halloween para TV: Halloween com a nova Família Addams.
A família excêntrica ainda ganhou algumas adaptações em desenhos animados pelo estúdio Hanna-Barbera. A série animada estreou em 1973 e teve apenas dezesseis episódios. No mesmo ano, em aparição histórica na TV, o programa fez um crossover em episódio de Os novos filmes de Scooby-Doo, intitulado no Brasil como Scooby-Doo encontra a Família Addams. Entre 1991 e 1993, os personagens ganharam vida novamente em outras duas temporadas em uma nova versão, posteriormente estreando nos cinemas com A Família Addams (1991).
No auge do sucesso de Elvira parecia o momento certo para trazer de volta uma outra dama gótica. Nas telonas em 1991, Mortícia ganha vida com Anjelica Huston, que desbancou Cher, também cotada para o papel. A atriz também retornou ao papel na continuação do filme A Família Addams 2 (1993). Com olhar marcante e sedutor, boca e unhas vermelhas, Anjelica entrega versão da personagem que é equilibrada e impassível.
Vinda de uma família da “realeza” de Hollywood, teve sua estreia aos dezoito anos no filme O irresistível bandoleiro (1968), dirigido por seu pai, John Huston e em seguida dedicou-se à carreira de modelo. Sua volta ao cinema aconteceu em pequeno papel no filme O grande magnata (1976), seguida por papéis secundários em outras produções. Quando os críticos já diziam que a carreira de Anjelica seria um fracasso, seu pai a colocou no papel de Maerose Prizzi em A honra dos padrinhos (1985), com o qual ganhou o Oscar© de Melhor Atriz Coadjuvante e alavancou seu nome na indústria. Trabalhou com Francis Coppola em Captain EO (1986) e Woody Allen em Crimes e escapadelas (1989). No papel de Tamara em Inimigos, uma história de amor (1989) foi indicada ao Oscar© de Melhor Atriz Coadjuvante
Participou do filme Convenção das Bruxas (1990) e viveu Lilly Dillon em Os imorais (1990), que lhe rendeu a nomeação ao Oscar© de Melhor Atriz. Fez papéis em vários filmes independentes e na televisão, dirigiu os filmes Marcas do silêncio (1996) e Agnes Browne, o despertar de uma vida (1999), em que ela também atuou. Escreveu dois livros de memórias: A Story Lately Told: Coming of Age in Ireland, London, and New York, publicado em 2013, e Watch Me: A Memoir, de 2014. Embora tenha construído carreira bem sucedida, Mortícia continua sendo o papel pelo qual a atriz é mais amplamente conhecida.
A personagem sexy, diabolicamente hilária, misteriosa, exuberante e com atitudes não convencionais, sua força feminina e exibição de seu lado sombrio influencia gerações após gerações, tanto no estilo quanto nas atitudes. Seu apelo sexual misturado à morbidez é bom exemplo de influência que Mortícia teve sobre a personagem Vampira vivida por Maila Nurmi.




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